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SER ASSERTIVO

Ser assertivo é respeitar-me, respeitar os outros e saber dar-me ao respeito, transmitindo e recebendo mensagens de forma socialmente competente.

É saber exprimir convenientemente necessidades ou preferências, emoções e opiniões, fazer respeitar pelos outros os meus direitos individuais, mas sem que, ao fazê-lo, experimente de ansiedade ou hostilidade excessiva ou indevida. É portanto fazer-me respeitar a mim próprio e a minha posição pelo que eu sou e defendo, sem com isso provocar ou agravar um conflito.

Não é assertivo quem não consegue dizer “não” ou quem tem dificuldade em afirmar o que quer - quem começa por falhar na expressão das suas necessidades ou preferências, emoções, opiniões ou posições, acaba por dar ao outro permissão para não o respeitar.
Mas também não é assertivo quem liberta os seus direitos ou posições de uma forma hostil, exigente, ameaçadora ou punitiva para com o outro. Há um meio termo de razoabilidade entre as coisas e é nesse meio termo que se encontra a assertividade.
Nesse meio termo reside uma emoção sem ansiedade e uma cultura e prática para a asserção. Os piores inimigos da assertividade são a ansiedade e a inexistência de um repertório comportamental eficiente. Para ser assertivo há pois que combinar a redução de ansiedades inibidoras das capacidades pessoais com a aprendizagem de novas aptidões que reforcem a responsabilidade, competência e o autocontrolo e despertem o sentimento de autoconfiança.

A ansiedade é a previsão de uma emoção negativa. Também lhe poderemos chamar receio ou medo quando existe um perigo bem identificado. O fator essencial da ansiedade é a incerteza. Se soubermos o que uma coisa é e como nos comportarmos perante ela, poderemos pelo menos começar a pensar nela e a planear uma orientação de ação para podermos lidar convenientemente com a situação.

Pedir dinheiro a alguém é uma daquelas situações que rapidamente poderá degenerar num conflito se, pelo menos, uma das partes não for uma pessoa assertiva. Percebe-se a ansiedade de certas pessoas quando é esse o tema. O dinheiro gera em si mesmo fortíssimas emoções. Pedir dinheiro é uma coisa séria, que não admite rodeios, nem desculpas prévias. Acontece que nós somos educados, quando muito, para "pedinchar" dinheiro, não para pedir dinheiro de uma forma assertiva, o que, por sua vez, pode gerar ansiedade perante o pedido, porque verdadeiramente não sabemos como o fazer e de preferência não o faríamos quanto mais não seja por receio da reação do outro. Quando pedimos para que outra pessoa pague é necessário ir direto ao assunto e ser breve e conciso: ”Pode por favor pagar a sua conta até sexta-feira, 11 de fevereiro?”; “Por favor, pode-me devolver os 50 euros que lhe emprestei na semana passada?”; “Eu enviei-lhe uma fatura no dia 1 agosto, que venceu no dia 30 de setembro. O pagamento ainda não chegou. Pode por favor regularizar o pagamento na volta do correio?”. A assertividade aqui é saber exprimir convenientemente a minha posição e fazer respeitar o meu direito de ser pago. O outro poderá responder: "Receio que possa haver algum atraso porque eu estou à espera de um grande pagamento de um cliente que ainda não foi feito”. Ao que eu insisto: “Imagino que isso lhe trará algum problema, mas a minha fatura já venceu há uma semana, e eu gostaria que na próxima semana já estivesse regularizada”.

A assertividade é também a capacidade de saber ler a situação e o estado de espírito do outro e agir de modo a superar a situação e criar uma oportunidade para sermos respeitados, resolver o conflito e partir para uma solução duradoura. Se ficar absolutamente claro que não irá ocorrer pagamento tenta-se chegar a um compromisso aceitável, por exemplo, um acordo de pagamento faseado no tempo. Mas não me é permitido ceder por incapacidade de ser assertivo.

Não há um roteiro para a assertividade, um guião muito redondo que possamos decorar para nos ajudar em todas as situações. Cada um deve fazer a sua quota parte de autorreflexão sobre os seus pontos fortes e fracos, reforçar o que tem de melhor e procurar ultrapassar as suas dificuldades. Após essa análise, certamente encontrará as suas próprias soluções, que colocará em prática e afinará em função da experiência e dos resultados que alcançar.

Dez regras para ter em consideração quanto pedir dinheiro a alguém:

1. Assuma a responsabilidade de dizer "eu". Por exemplo: "Eu concordo", em vez de "Você tem razão"; "Eu discordo", em vez de "Você esta enganado".

2. É preferível fazer um pedido a fazer uma exigência. "Pode pagar-me?" é mais eficaz que o imperativo "Pague-me!".

3. É preferível fazer perguntas a fazer acusações. " Está a ouvir-me?" é preferível a "Mais uma vez não me está a ouvir!"

4. É preferível dirigir-se de maneira positiva e construtiva, a dirigir-se de maneira negativa e destrutiva: "Eu espero que a própria prestação seja paga como foi acordado" é preferível a "Não devia pagar quando lhe apetece!".

5. Não se diminua. Diga: "Posso", em vez de "Pode-se", "Quero" ou "Não quero", em vez de "Não me importo", "Talvez", "Pode ser", "Mais ou menos".

6. Não banalize o que pretende dizer. Não diga: "Só mais uma coisinha...", "Não é nada importante..."

7. Não se justifique demasiado porque isso é sinal de insegurança e não aceite nenhuma justificação que não possa ser demonstrada.

8. Não faça generalizações. Os termos "Nunca" ou "Sempre" raramente estão certos e tendem a formar rótulos simplificam demasiado a realidade.

9. Não espere qualquer tipo de recompensa emocional por parte de quem lhe deve dinheiro.

10. Mantenha-se firme no tópico. Independemente da justificação para o não pagamento, pretende receber no mais curto espaço de tempo possível.

MENSAGENS POPULARES

DESCONTOS DE PRONTO PAGAMENTO

Um desconto de pronto pagamento é uma oferta de uma percentagem a descontar no preço final de um bem vendido ou de um serviço prestado feita por um fornecedor a um seu cliente. O montante do desconto oferecido poderá ser de 3%, 5% ou mesmo 10%. Parece simples mas poderá tornar-se complicado.

Se os descontos forem feitos depois da emissão da fatura poderá haver um problema. A fatura é emitida sob condição de pagamento imediato. Se o pagamento não é de facto feito, existe uma oferta sem qualquer contrapartida, se o for, a fatura com desconto de pronto pagamento poderá constituir um quebra cabeças fiscal. Idealmente e como forma de estímulo, a Administração Fiscal poderia considerar para efeitos de IVA apenas o valor do desconto. Mas isso não acontece em Portugal. Mesmo em países do Norte da Europa onde essa possibilidade existe, como em Inglaterra, a dificuldade de controlo provavelmente não justifica a medida.

Existem alternativas que podem ser interessantes. Por exemplo, nas vendas av…

CERTIDÕES DE INCOBRABILIDADE

Uma certidão de incobrabilidade é um documento emitido por um Agente de Execução destinado ao credor, com vista a regularização do IVA ou possibilitar o registo como perda para efeitos de IRC.

A certidão de incobrabilidade é emitida após inclusão do devedor na lista pública de execuções. Isso acontece após o decurso de um processo de execução em que não são encontrados bens penhoráveis ou no âmbito de um procedimento judicial pré-executivo. Este último procedimento destina-se sobretudo a pressionar o devedor para pagar, evitando uma ação executiva. Se o devedor não pagar ou não celebrar um acordo de pagamento, será incluído na lista pública de execuções.

A lista de pública de execuções é uma base de dados de acesso universal, disponibilizada na Internet, com dados sobre execuções frustradas. Nessa base de dados, são identificadas pessoas ou empresas que tenham sido alvo de processo executivo por existência de dívidas, mas cujas execuções respetivas tenham terminado por inexistência …

Estratégia de recuperação

Controlar, acelerar o pagamento e responsabilizar com o mínimo de custos, eis os ingredientes secretos de uma estratégia de recuperação bem sucedida.

A operação de recuperação é a disposição de um plano composto pela sequência de ações cronológicas e calendarizadas para realizar a politica de crédito e recuperação. As ações em causa assentam sobretudo em estratégias de comunicação e negociação informadas pelos princípios do controlo, celeridade, responsabilidade e custo.

CONTROLO: Controlar em recuperação é domesticar o risco de incobrável ou de perda, é assegurar que o credor detém os meios para exercer pressão sobre o cliente e os exerce de facto. Esses meios são a informação e os recursos humanos e técnicos ou tecnológicos. Quando não se controla, não se exerce pressão, ou seja, permite-se que o cliente o faça.

CELERIDADE: É imprimir organização e sentido de urgência a todos os procedimentos, diligências, ações e comportamentos.

RESPONSABILIDADE: É assegurar que qualquer compromiss…

O QUE É UMA INJUNÇÃO?

Uma injunção é uma providência administrativa destinada a permitir que um credor de uma prestação pecuniária acordada no âmbito de uma transacção comercial obtenha de uma forma célere (se não houver oposição) e simplificada (existe apenas um articulado) um título executivo.

O procedimento de injunção permite a um credor obter um título executivo, e este último autoriza a imediata agressão do património do devedor através de uma ação executiva.

Tem que estar em causa o incumprimento de obrigações que resultem de transacções comerciais e o devedor, poderá ser uma empresa, uma entidade pública ou uma pessoa singular, neste último caso, desde a dívida resulte do incumprimento de obrigações pecuniárias emergentes de contratos de valor não superior a 15.000,00 euros.

O mecanismo de injunção é acionado mediante um preenchimento de um formulário de injunção, depois de se pagar uma taxa de justiça. De seguida, o devedor é notificado pelo Balcão Nacional de Injunções para pagar a dívida e os ju…

LISTA PÚBLICA DE EXECUÇÕES

A Lista Pública de Execuções é hoje uma ferramenta de trabalho para tomar uma decisão de crédito, para decidir avançar ou não para contencioso, ou para poder recuperar o IVA.

A lista de pública de execuções é uma base de dados de acesso universal, disponibilizada na Internet, com dados sobre execuções frustradas. Nessa base de dados são identificadas pessoas ou empresas que tenham sido alvo de processo executivo por existência de dívidas, mas cujas execuções respetivas tenham terminado por inexistência de bens para penhorar ou em que os bens encontrados se tenham revelado insuficientes para pagar as dívidas existentes.

O objetivo de divulgação desta lista é, sobretudo, criar um elemento dissuasor do incumprimento de contratos. Tal objetivo é atingido quer pela publicidade negativa gerada pela publicação do incidente, quer com a penalização imposta a quem (em regra credores) celebrar contratos com qualquer um que conste na Lista Pública de Execuções que deixa assim de poder recuperar…